quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Carta à Igreja em Éfeso

A Carta à Igreja em Éfeso

A mensagem do Apocalipse foi enviada principalmente “às sete igrejas que se encontram na Ásia” (1:4). Este fato é frisado várias vezes no primeiro e no último capítulos (1:4,11,20; 22:16). Os capítulos 2 e 3 são direcionados especificamente às igrejas, com uma mensagem especial para cada uma delas.
Estas sete cartas seguem a forma de decretos imperiais, começando a sua mensagem com a palavra “diz” (grego, legei). Estas cartas foram escritas num formato padrão (Saudação, Posição de Jesus, Avaliação da congregação, apelo a ação, Promessa de recompensa aos vencedores), mas o conteúdo de cada é específico e fala a respeito das necessidades da própria congregação citada.

Sete Igrejas Independentes

A necessidade de sete cartas bem diferentes reforça a importância de respeitar a autonomia de cada congregação. Estas sete igrejas se encontravam numa área relativamente pequena. Uma pessoa entregando todas as cartas faria um circuito de pouco mais de 500 quilômetros. Nesta área pequena, sete igrejas bem diferentes apresentaram características distintas. Jesus não enviou uma carta “ao bispo da Ásia” (não existia qualquer ofício de líderes regionais entre as igrejas primitivas) para resolver, de uma vez, todas as questões nas várias igrejas. As igrejas não eram subordinadas à autoridade de alguma hierarquia, e não havia laços estruturais entre congregações. Cada congregação era independente, com seus próprios desafios e sua própria personalidade. Cada uma recebeu um comunicado diretamente de Jesus, e lhe responderia diretamente pela sua obediência ou rebeldia. Ele não operou por meio de alguma hierarquia de autoridades eclesiásticas. As pessoas que querem seguir, hoje em dia, as instruções do Novo Testamento devem lembrar este fato. Não há base bíblica para criar ou manter organizações religiosas ligando congregações. As hierarquias nas denominações e as conferências e congressos estaduais, regionais, nacionais e internacionais são invenções de homens sem nenhuma autorização bíblica.

Ao Anjo da Igreja em Éfeso (Apocalipse 2:1-7)

Vamos considerar o conteúdo desta carta. Confira na sua Bíblia cada citação.
A igreja em Éfeso (1): Éfeso era a cidade mais importante da província romana de Ásia. Foi situada perto do mar Egeu. Duas estradas importantes cruzaram em Éfeso, uma seguindo a costa e a outra continuando para o interior, passando por Laodicéia. Assim, Éfeso teve uma localização importantíssima de contato entre os dois lados do império romano (a Europa e a Ásia). Historiadores geralmente calculam a população da cidade no primeiro século entre 250.000 e 500.000. Éfeso era conhecida, também, como o foco de adoração da deusa da fertilidade, Ártemis ou Diana.

Sabemos algumas coisas sobre a história da igreja em Éfeso de outros livros do Novo Testamento. No final de sua segunda viagem, Paulo deixou Áqüila e Priscila em Éfeso, onde corrigiram o entendimento incompleto de Apolo sobre o caminho do Senhor (Atos 18:18-26). Na terceira viagem, Paulo voltou para Éfeso, onde pregou a palavra de Deus por três anos (Atos 19:1-41; 20:31). Na volta da mesma viagem, passou em Mileto e encontrou-se com os presbíteros de Éfeso (Atos 20:17-38). Durante os anos na prisão, Paulo escreveu a epístola aos efésios. Também deixou Timóteo em Éfeso para edificar os irmãos (1 Timóteo 1:3).
Destas diversas referências aos efésios, podemos observar algumas coisas importantes sobre essa igreja. Desde o início, houve a necessidade de examinar doutrinas e aceitar somente o que Deus havia revelado. Assim, Áqüila e Priscila ajudaram Apolo (Atos 18:26); Paulo advertiu os presbíteros do perigo de falsos mestres entre eles (Atos 20:29-31), e orientou Timóteo a admoestar os irmãos a não ensinarem outra doutrina (1 Timóteo 1:3-7). A carta de Paulo aos efésios destacou a importância do amor (5:2), um tema frisado, também, nesta carta no Apocalipse.

Aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro (1): Esta descrição de Jesus vem de 1:12-13,16,20 e mostra o conhecimento e a soberania de Jesus em relação às igrejas. Tanto os efésios como os discípulos nas outras igrejas precisavam lembrar da presença de Jesus. Ele anda no meio das igrejas, observando o procedimento delas, e pronto para agir quando for necessário. Segurando as sete estrelas, ele demonstra seu poder e domínio.

Conheço as tuas obras (2-3): Jesus elogia várias qualidades da igreja em Éfeso:

Labor e perseverança – Deus quer servos dedicados que não desistem (Tiago 1:4). Jesus falou da importância da perseverança diante de perseguição (Mateus 10:22; veja Romanos 5:3; Tiago 1:12), observando que perseguições causam o amor de muitos a esfriar (Mateus 24:10-13). Devemos perseverar na oração (Atos 1:14; Colossenses 4:2; 1 Timóteo 5:5), na doutrina verdadeira (Atos 2:42; 1 Coríntios 15:1), nas boas obras (Romanos 2:7) e na graça de Deus (Atos 13:43). Na sua perseverança, os efésios suportaram provas e não se desanimaram.

Não suportar homens maus – Depois de tantas advertências sobre o perigo de falsos mestres, a defesa da verdade se tornou um ponto forte da igreja de Éfeso. Homens que se alegavam ser apóstolos foram postos à prova e achados mentirosos (veja 1 João 4:1). Precisamos do mesmo zelo da verdade hoje. O mundo religioso está cheio de pessoas que se dizem profetas e apóstolos. Devem ser avaliadas conforme a palavra de Deus. Pessoas que alegam trazer novas revelações são mentirosas (Gálatas 1:8-9; 1 Coríntios 13:8; Judas 3). Os apóstolos eram testemunhas oculares de Jesus ressuscitado (veja Atos 1:22; 1 Coríntios 15:8-9). Aqueles que se chamam apóstolos, hoje em dia, são falsos mestres. Não devemos suportá-los.

Tenho ... contra ti (4): O problema dos efésios não foi uma questão de doutrina correta, mas de amor. Abandonaram o seu primeiro amor. Esqueceram dos grandes mandamentos que formam a base para todos os ensinamentos de Deus (Mateus 22:37-40). Paulo instruiu os efésios sobre a importância do amor como alicerce da vida do cristão (Efésios 3:17; 4:2,16: 5:2; 6:23). Não devemos distorcer esta advertência para criar um conflito entre o amor e a verdade. Podemos defender a verdade, como os efésios fizeram e, ao mesmo tempo, praticar o amor. Foi exatamente isso que Paulo pediu aos efésios: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15).

Lembra-te, arrepende-te e volta (5): Jesus pede três respostas dos efésios:

1. Lembra-te, pois, de onde caíste: Não foram as alfarrobas dos porcos que levou o filho pródigo ao arrependimento; foi a lembrança da casa do pai. Para os efésios se arrependerem, teriam que lembrar da comunhão com Deus que deixaram para trás. Para permanecer fiéis, a presença de Deus precisa ser a coisa mais preciosa na nossa vida. Uma vez que caímos, é necessário desenvolver novamente o amor para com ele.

2. Arrepende-te: O arrependimento é a mudança de atitude. Quando decidimos deixar o pecado e fazer a vontade de Deus, nós nos arrependemos. O pecador precisa se arrepender antes de ser batizado para perdão dos pecados (Atos 2:38). O cristão que tropeça precisa se arrepender e pedir perdão pelos seus pecados (Atos 8:22). Aqui, uma igreja cujo amor esfriou-se precisa se arrepender.

3. Volta à prática das primeiras obras: A mudança de atitude (o arrependimento) produzirá frutos (Mateus 3:8). Pelas obras, a pessoa arrependida mostrará a sinceridade da sua decisão. A igreja em Éfeso precisava voltar à prática do amor.
Se a igreja não se arrepender, Jesus removeria o seu candeeiro. Eles não permaneceriam na abençoada comunhão com o Senhor.

Odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio (6): Mais um ponto a favor, reforçando o elogio dos versículos 2 e 3. Os nicolaítas são mencionados somente aqui e na carta à igreja em Pérgamo (15). Não sabemos a natureza precisa do seu erro, mas sabemos que era abominável a Deus. Neste ponto, os efésios odiavam o que Deus odiava. Nós devemos fazer a mesma coisa, sendo amigos do bem (Tito 1:8) e detestando o mal (Salmo 97:10).

Quem tem ouvidos, ouça (7): Freqüentemente, Jesus chama os ouvintes a ouvirem a sua mensagem (Mateus 11:5; 13:9,43; etc.). O problema de um coração teimoso se reflete nos ouvidos tapados que recusam ouvir a verdade (Mateus 13:15). Os efésios provaram aqueles que falavam, agora eles seriam provados pela maneira de ouvirem.

O Espírito diz às igrejas (7): Jesus transmitiu a sua mensagem por meio dos anjos das igrejas (2:1,8,12,18; 3:1,7,14), mas o Espírito, também, participa da revelação (veja 1:4) e da recompensa dos fiéis.
Ao vencedor ... árvore da vida ... paraíso de Deus (7): A recompensa aguarda os vencedores que perseveram no amor e na verdade. Aqueles que desistem, abandonando para sempre o seu amor, não receberão o galardão. Jesus descreve a comunhão com Deus em termos que nos lembram do jardim do Éden. Por causa do pecado, o homem foi expulso do jardim em que Deus andava (Gênesis 3:22-24,8). Aqueles que andam com Deus têm a esperança da vida no paraíso do Senhor.

Conclusão

U ma igreja rodeada por religiões falsas e sujeita à influência de homens maus precisa examinar todos os ensinamentos e rejeitar todas as falsas doutrinas. Mas ela precisa, também, demonstrar o amor verdadeiro para vencer o mal. Devemos amar a verdade, não somente pelo desejo de ser “corretos”, mas porque ela vem do Deus que merece nosso amor. Devemos amar aos outros, porque foram feitos à imagem e semelhança de Deus. “Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros” (1 João 4:11).

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O PRESENTE - ÉFESO


O PRESENTE - ÉFESO

Apocalipse 2.1—3.22

No capítulo 1, encontramos “as coisas que tens visto” (1.19) — o passado. No capítulo 2 e 3, são registradas “as que são” — o presente. E melhor entender essa seção como que descrevendo condições prevalecentes nas sete igrejas da Asia.
Muitos estudiosos encontraram aqui sete períodos sucessivos da história da igreja. J.

B. Smith apresenta um bom resumo dessa interpretação. Efeso retrata “o declínio primitivo do cristianismo vital no término do primeiro século”, a perda do seu primeiro amor. Esmirna descreve o período da perseguição, nos segundo e terceiro séculos. Pérgamo representa “a união de igreja e estado sob o império de Constantino” (quarto século) com sua conseqüente corrupção eclesiástica e moral. Ti atira descreve “o domínio da hierarquia romana”, do quinto ao décimo quinto séculos. Sardes aponta para “os dias da Reforma”, no décimo sexto século, em que “algumas pessoas [...] não contaminaram suas vestes” (3.4).

Filadélfia fala de “um período de ortodoxia e evangelização por líderes tais como Wesley e Whitefield [século décimo oitavo], quando todas as nações do mundo estavam de ‘portas abertas’ para receber o Evangelho”. Laodicéia mostra “a apostasia do final dos tempos numa linguagem muito parecida com a que foi apresentada por Jesus e os apóstolos Paulo, Tiago, Pedro, João e Judas, acerca dos últimos dias”. Essa apostasia começou com a alta crítica germânica da Bíblia no décimo nono século e alcançou o estágio alarmante representado pela posição da “morte de Deus” reivindicada por teólogos em 1965.

Inquestionavelmente, há uma coincidência marcante entre as sete cartas e a seqüência dos períodos sugeridos. Mas provavelmente é mais correto afirmar que todas as cartas reunidas constituem um quadro geral das condições não só nas sete igrejas da Asia no fim do primeiro século, mas também em toda a trajetória do cristianismo durante toda a era da Igreja. Com isso não estamos negando que certas características descritas nessas mensagens eram mais dominantes em um período do que em outro.

As cartas apresentam uma estrutura bastante equilibrada. Smith sugere uma divisão
em sete partes para cada igreja: 1) Proclamação; 2) Apresentação; 3) Declaração; 4) Aprovação; 5) Censura; 6) Exortação; 7) Recompensa. Nós adotamos um esboço semelhante.

Duas das igrejas, Esmirna e Filadélfia, não recebem uma palavra de desaprovação a respeito delas. Do lado oposto está Laodicéia, com nenhuma palavra de aprovação. Kiddle observa: Duas igrejas, a primeira e a última, são ameaçadas com a extinção completa, uma vez que cada uma carece de qualidades essenciais para a confissão da fé cristã. Louvor inadequado é dado à segunda e sexta igrejas. As três igrejas centrais são elogiadas e castigadas em diferentes graus, porque em cada uma delas existe uma mistura de elementos bons e maus; os fiéis recebem a promessa de recompensas e os infiéis são ameaçados com os mais severos castigos. Assim, parece haver um plano propositado elaborado ao apresentar essas sete igrejas como representantes das condições existentes em todas as igrejas.

CARTA À IGREJA DE ÉFESO, 2.1-7

1. Destino (2.la)

A primeira carta foi escrita ao anjo (veja comentários em 1.20) da igreja que está em Efeso. Essa era a cidade principal da província da Ásia, do lado oeste da Ásia Menor. Na época em que João a escreveu, essa cidade era um grande porto, situado perto da boca do rio Caister. Caravanas nas estradas romanas do norte, leste e sul convergiam aqui, para deixar suas cargas em navios que velejavam para o oeste em direção a Corinto ou mesmo até a Itália. Efeso era uma metrópole agitada. Essa cidade era a porta de entrada da Ásia. O procônsul precisava desembarcar aqui quando iniciava o seu oficio como governador da Ásia. Ao mesmo tempo, ela era a estrada principal para Roma. No início do segundo século, quando os cristãos estavam sendo enviados por navio para Roma para alimentar os leões, Inácio chamou Efeso de a Rota dos Mártires.
Politicamente, Efeso era uma cidade livre. Isso significava que ela desfrutava de uma medida considerável de autonomia autônomo. Nessa cidade também ocorriam os famosos jogos anuais.

Na área da religião, Efeso era o centro de adoração de Artemis (veja comentários em
Atos 10.24-27, CBB, vol. VII, pp. 482-3). Seu templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Efeso era chamada de “A Luz da Ásia”. Contudo, ela era uma cidade pagã, repleta de trevas da superstição pagã. Swete escreve: “A cidade era um canteiro de rituau1o, ais e superstições, um local de encontro do ocidente e do oriente, onde gregos, romanos e asiáticos se acotovelavam nas ruas”.

Por causa da sua importância estratégica, Paulo havia passado mais tempo aqui (perto de três anos, At 20.31) do que em qualquer outro lugar nas suas três viagens missionárias. Ele fez muitos convertidos, tanto judeus quanto gentios (At 19.10) e construiu uma igreja forte. Nos anos 60 d.C., Timóteo foi colocado lá (1 Tm 1.3). A tradição da Igreja Primitiva afirma que João passou os últimos anos da sua vida nesse terceiro grande centro do cristianismo (depois de Jerusalém e Antioquia).

Hoje essa metrópole poderosa do passado é um monte de ruínas. O rio Caister encheu o porto com lodo, de maneira que a cidade é somente um pântano de juncos. O mar fica a cerca de dez quilômetros de distância.

Há três razões lógicas para João escrever primeiro para a igreja de Efeso. a) Ela era a principal igreja na Ásia e estava situada na principal cidade da província. b) Ela era a cidade mais próxima de Patmos, a cerca de 100 quilômetros. Ela seria a primeira cidade a ser alcançada pelo mensageiro que levava essas cartas. c) Ela era a igreja-mãe de João. Nesse domingo pela manhã, o idoso apóstolo estava indubitavelmente pensando acerca das necessidades e problemas dessa igreja, bem como das outras seis igrejas que podem ter estado sob a sua jurisdição.

2. Autor (2.1b)

O Autor divino dessas sete cartas é Jesus Cristo. No início de cada epístola, após a saudação, Ele é descrito de uma maneira singular e que se ajusta à mensagem dessa carta. Cada vez o Autor é apresentado com as palavras: Isto diz. Então segue a descrição do Senhor glorificado. Swete diz o seguinte a respeito dessa fórmula introdutória:

“Ela é seguida em cada caso por uma descrição de um Locutor, em que Ele é caracterizado por um ou mais dos aspectos da visão do capítulo 1 [...] ou por um ou mais dos seus títulos [...] os aspectos ou títulos escolhidos parecem corresponder com as circunstâncias da igreja a que a carta está sendo dirigida”. Mas, ele também observa: “Para a Igreja de Efeso, a mãe das igrejas da Asia, o Senhor escreve debaixo de títulos que expressam sua relação com as igrejas em geral”.

Nesse versículo, Ele é descrito da seguinte maneira: aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro. Isso nos leva de volta à descrição de Cristo em 1.12-20. Embora os castiçais (candelabros) sejam claramente identificados por Jesus como que simbolizando as igrejas, a interpretação das estrelas como “anjos” é explicada de maneira variada (veja comentários em 1.20). Devemos confessar que temos uma forte afinidade com o ponto de vista apresentado por Richardson. Depois de identificar os “anjos” como mensageiros e sete como que significando “totalidade”, ele diz: “Todos os verdadeiros ministros de todas as igrejas estão nas mãos de Cristo [...] A medida que Cristo se move no meio das igrejas, Ele segura os ministros nas suas mãos”. Se essa interpretação pode ser aceita, ela fornece grande consolo ao pastor sobrecarregado.

3. Aprovação (2.2-3, 6)

Deus nunca está desatento ao que fazemos por Ele. Jesus diz à igreja de Efeso: Eu sei (2). Sempre é um conforto lembrar que nosso Senhor nos conhece corretamente.
A igreja de Éfeso é primeiramente elogiada por suas obras. Encontramos isso novamente em 2.19; 3.1, 8, 15. Trabalho (kopos) é um termo forte. Barclay diz que ele descreve “trabalho até suar; trabalho até ficar exausto; o tipo de labuta que suga toda a energia e mente que um homem possui”.

Paciência dificilmente é uma tradução adequada para a palavra grega aqui, que significa “persistência imperturbável” (veja comentários em 1.9). Barclay comenta: “Hupomone não é a paciência inflexível que resignadamente aceita as coisas, e que curva sua cabeça quando preocupações aparecem. Hupomone é a bravura corajosa que aceita sofrimento, privação e perda e os transforma em graça e glória”.

Smith faz uma observação interessante acerca desses três termos usados aqui. Ele escreve: “Fé, esperança e amor lamentavelmente estão faltando aqui. Contraste essa igreja com a de Tessalonicenses: Efeso tinha obras, mas não obras de fé; trabalho, mas não trabalho de amor; paciência, mas não paciência de amor” (1 Ts 1.3).” Ele então torna essa declaração significativa: “Não é demais dizer que uma igreja pode ter todas essas virtudes mencionadas e mesmo assim estar destituída de vida espiritual”. Poderíamos acrescentar o seguinte: e o mesmo vale para cada indivíduo.

A igreja de Efeso não era apenas diligente, mas também cautelosa em termos de disciplina: ela não podia sofrer (“suportar”, ARA; “tolerar”, NVI) os maus. Diferentemente de Corinto, ela não tolerava o pecado dentro da igreja. Ela havia colocado à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e os havia achado mentirosos.


A íntima conexão dessas cláusulas sugere que os maus devem ser identificados com os falsos após-tolos. Swete explica quem eram essas pessoas: “Os falsos mestres afirmavam ser apóstolos num sentido mais amplo, mestres itinerantes com uma missão que os colocava num nível mais elevado do que os anciãos locais” (cf. 1 Co 12.28; Ef 4.11). Esses apóstolos itinerantes se tornaram um verdadeiro problema na Igreja Primitiva. Evidentemente, era requerido que levassem “cartas de recomendação” de alguma igreja estabelecida (2 Co 3.1).

Em sua primeira epístola, João adverte: “provai [testai] se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4.1). O Didaquê, escrita em meados do segundo século, relata como esses itinerantes deveriam ser testados: “E cada apóstolo que vem a vocês, que seja recebido como o Senhor; mas ele não deverá permanecer mais do que um dia; se, no entanto, for necessário, que fique mais um dia; mas se permanecer três dias, ele é falso profeta”.’3 Em outras palavras, ele não deve se aproveitar da hospitalidade da igreja.

No melhor manuscrito grego, tens paciência (3) vem antes de sofreste, que está
conectado com pelo meu nome; ou seja: “Vocês têm pacientemente sofrido por causa do
meu nome”. E trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste no grego significa simplesmente: “e vocês não têm desfalecido”. Os cristãos de Efeso eram obreiros incansáveis.

Acerca da descrição da igreja em Efeso, Ramsay escreve: “O melhor comentário disso é encontrado na carta de Inácio aos Efésios [...] As características que ele elogia na
Igreja de Efeso são as mesmas que São João menciona [...] ‘Devo ser treinado para a disputa convosco na fé, na admoestação, na perseverança e na longanimidade’ (v. 3):
 “porque todos vós viveis de acordo com a verdade e nenhuma heresia tem se alojado no meio de vós’ (v. 6)”.

A igreja em Éfeso é também aprovada porque aborrece as obras dos nicolaítas (6). Não se sabe ao certo quem eram essas pessoas (Eles são mencionados novamente no v.
15). Irineu (cerca de 180 d.C.) diz que eles foram estabelecidos por Nicolau de Antioquia, mencionado em Atos 6.5. Mas Clemente de Alexandria questiona isso. Depois de discutir as várias teorias, Swete conclui: “Como um todo parece melhor aceitar a suposição de que um partido levando esse nome existia na Ásia quando o Apocalipse foi escrito, quer devesse sua origem a Nicolau de Antioquia, que não é improvável [...] ou a algum outro falso mestre com esse nome”.

Na expressão as quais eu também aborreço, Swete faz esta observação pertinente: “Aborrecer obras más [.1 é uma verdadeira contrapartida do amor ao bem e ambos são divinos”.

4. Censura (2.4)

O grande Cabeça da Igreja viu apenas uma coisa errada na congregação em Efeso. Embora essa congregação fosse ortodoxa, perseverante e zelosa, ela carecia do amor.
Sem isso, tudo o mais era em vão. A tradução da KJV minimiza a seriedade da acusação ao inserir em itálico a palavra somewhat (depois substituída por soinething, que quer dizer “algo” ou “alguma coisa”). Isso distorce a afirmação do original. O grego diz: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor” (cf. ARA).
Isso não era um insignificante “alguma coisa”. O texto seguinte mostra que a situação era uma completa tragédia, requerendo um remédio drástico. Muitas vezes é dito que a igreja de Efeso tinha “perdido” seu primeiro amor. Mas, não é isso que o texto diz. Lemos: que deixaste [o teu primeiro amor], O verbo é aphiemi, que significa “deixar ir, mandar embora, desistir, abandonar”. Tudo isso sugere uma negligência voluntária. E por isso que se exigiu o arrependimento. Pecados de omissão podem ser tão fatais em suas conseqüências quanto que pecados de ação.

O que era essa primeira caridade que a igreja de Efeso havia deixado? Quase todos os comentaristas concordam que a palavra primeira precisa ser interpretada cronologicamente: esse era o amor da igreja primitiva em Efeso, especialmente durante os dias do ministério de Paulo ali (cf. At 19.20; 20.37). A tentativa de alguns de interpretá-la qualitativamente como que significando “amor de primeira classe” não parece encontrar apoio adequado na palavra grega usada aqui. E verdade que ela pode significar “principal” ou “superior”. Mas a idéia é de prioridade e não de qualidade.

O termo caridade (ou “amor”) é interpretado pela maioria como significando “amor fraternal”. Os Pais gregos da Igreja Primitiva acreditavam que a referência era à falta de cuidado pelos irmãos pobres. Outros associam essa passagem a Jeremias 2.2, em que Deus acusa Israel de ter esquecido “do teu amor quando noiva”. Isto é, os Efésios haviam deixado o seu amor por Cristo. A melhor proposta é a posição inclusiva de Charles R. Erdman: “Esse era o amor por Cristo e o amor pelos companheiros cristãos. Os dois aspectos são inseparáveis”.

Inevitavelmente aparece uma pergunta: Porventura, o zelo da igreja de Éfeso na sua defesa pela ortodoxia contribuiu para a perda do amor? Isso é bem provável. Ao defender a verdade e disciplinar membros instáveis, é fácil desenvolver um espírito severo e crítico que acaba destruindo o amor. E, com freqüência, quando o calor do amor divino desaparece, as pessoas tornam-se mais zelosas na luta por doutrinas e padrões ortodoxos. Esse é um perigo contra o qual todos devem vigiar.

5. Exortação (2.5)

O primeiro passo de volta para Deus é: Lembra-te (5). Lembra-te dos dias passados de bênção espiritual. Essa igreja tinha caído, não meramente tropeçado. Ela estava abatida. Esse era o caso do filho pródigo, de um modo geral. Mas ele lembrou- se (Lc 15.17) e voltou.

Deque maneira essa igreja poderia se levantar outra vez?A resposta é: arrepende-te. Isso significa “mude sua mente” (veja comentários em Mt 3.2, BBC, vol. VI, pp. 42-3). Então pratica as primeiras obras; isto é, creia e obedeça. Hebreus 6.1 fala do “fundamento do arrependimento [.1 e de fé em Deus”. Essa é evidentemente a combinação aqui. Swete ressalta que lembra-te, arrepende-te e pratica “obedecem aos três estágios na história da conversão”.

Se a igreja de Éfeso rejeitasse ou falhasse em se arrepender e praticar as primeiras obras, Jesus advertiu: brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Isto é, a igreja de Efeso deixaria de existir como congregação cristã. Isso finalmente ocorreu em uma época posterior, mas a advertência foi evidentemente anunciada naquela época.
Cerca de 20 anos mais tarde Inácio escreveu aos Efésios: “Dei as boas-vindas à sua igreja que se tornou tão estimada entre nós por causa da sua natureza honesta, marcada pela fé em Jesus Cristo, nosso Salvador, e pelo amor a Ele”.

A igreja teria uma oportunidade justificada de se arrepender. Swete observa que a palavra grega para tirarei pode ser entendida como indicando “ponderação e calma judicial; não haveria um extermínio em um momento de raiva, mas um movimento que acabaria na perda do lugar que a Igreja tinha sido chamada a cumprir; a não ser que houvesse uma mudança para melhor, as primeiras sete lâmpadas da Asia desapareceriam”.

6. Convite (2.7a)

A exortação Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas ocorre em cada uma das sete cartas. Nas três primeiras, a exortação precede a promessa ao vencedor. Nas últimas quatro, a exortação vem após a promessa. Veja também 13.9. Esse é um eco das palavras de Jesus nos evangelhos, quando ele diz: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça” (Mt 11.15; 13.9, 43; Mc 4.9, 23; Lc 8.8; 14.35).

7. Recompensa (2.7b)

Em cada carta há uma promessa para aquele que vence. O verbo ocorre freqüentemente no livro de Apocalipse, cujo tema principal é a Igreja, por meio de Cristo, vencendo todo mal. Swete diz que o termo indica”‘o vencedor’, o membro vitorioso da Igreja, como tal, à parte de todas as circunstâncias”.

A promessa aqui para o vencedor é que ele terá o direito de comer da árvore da vida. Adão falhou quando testado e perdeu esse direito. Agora esse direito é prometido àqueles que serão fiéis diante da tentação. Swete comenta: “Comer da árvore é desfrutar de tudo o que a vida futura tem a oferecer para a humanidade redimida”.

A palavra paraíso obviamente nos leva de volta ao Eden, onde a árvore da vida é mencionada primeiramente como estando “no meio do jardim” (Gn 2.9). Agora lemos que ela está no meio do paraíso de Deus. Acerca do significado desse termo Swete observa: “O ‘Paraíso’ do N.T. ou é o estado dos mortos abençoados (Lc 23.43) ou uma esfera supramundana identificada com o terceiro céu para o qual as pessoas chegam em um êxtase (2 Co 12.2ss); ou, como aqui, a alegria final dos santos na presença de Deus e de Cristo”.”
Na mensagem para Éfeso vemos:

1) A insuficiência das obras (vv. 2,3);
2) A necessidade do amor (v. 4);
3) A natureza do arrependimento (v. 5).

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Comentário Bíblico Beacon

PRIMEIRA CARTA: À IGREJA DE ÉFESO

PRIMEIRA CARTA: À IGREJA DE ÉFESO

1. “ESCRE ao anjo da igreja que está em Efeso. Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro”

I. “...Ao anjo da igreja”. Nada se sabe de certo quem era esse “anjo” nos dias em que esta carta estava sendo enviadaç a não ser aquilo que se depreende do texto em foco. Segundo o relato de Lucas em Atos 20, quando Paulo visitou a Asia Menor, “...de Mileto mandou a Efeso, a chamar os anciãos da igreja. E, logo que chegaram junto dele, disse-lhes.. .Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentae5 a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (At 20. 17, 18, 28). Quando Paulo falou essas palavras Timóteo era o pastor (anjo) da igreja de Efeso (1 Tm 1. 3) e provavelmente Tíquico tenha sido seu substituto (At 20. 4; Ef 6. 21; 2 Tm 4. 12). o “anjo” a que Jesus se refere bem pode ser este

1. EFESO. O nome significa “desejado”. Situação geográfica: a cidade de Éfeso se enclavava no pequeno Continente da Asia Menor (hoje, atual porção da Turquia Asiática). “Esta era a capital da província romana da Asia. Com Antioquia da Síria e Alexandria no Egito, formavam o grupo das três maiores cidades do litoral leste do Mar Mediterrâneo. O seu templo da “Diana dos efésios” (At 19. 28) foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo” pelo menos duas vezes, Paulo esteve nessa cidade (At 8. 19 e 19. 1). Em sua terceira viagem por aquela região, ele não chegou até lá, mas estando em Mileto “mandou a Efeso, a chamar os anciãos da Igreja”. Essa igreja recebeu duas cartas: uma de Paulo (epístola aos efésios), a outra de Cristo (à que está em foco). A primeira em 64 d. C., a segunda em 96 d. C.

2. Notem-se as sete coisas comuns a todas as sete mensagens: (a) Todas são dirigidas “ao anjo da igreja”. 2. 1, 8, 12, 18; 3. 1, 7, 14, (b) Cada mensagem tem uma descrição abreviada daquele que a envia, tirada da visão de Cristo glorificado, no primeiro capítulo. (c) Cristo afirma a cada igreja: “Sei”. 2. 2, 9, 13, 19; 3. 1, 8, 15. (d) Todas as mensagens têm ou uma palavra de louvou ou de censura. 2. 4, 9, 14, 20; 3. 2, 8-10, 16. (e) Cristo lembra Sua Vinda e o que há de acontecer conforme a conduta da própria pessoa, a todas as sete igrejas. (f) A cada igreja é repetido a frase: “Quem tem ouvidos, ouça õ que o Espírito diz às igrejas”. 2. 7, 11, 17, 29; 3. 6, 13, 22. (g) Cada vez, há promessa explícita, para os vencedores do bom combate da fé: “Jesus diz: O que vencer!”. (Cf. 2. 7, 11, 17, 26; 3. 5, 12, 21).

2. “Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu * os achaste mentirosos”.

1. “...os que dizem ser apóstolos”. Está em foco neste versículo, os chefes Gnósticos, que tinham arrogado para si o título de apóstolos de Cristo. Paulo diz que tais “...falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2 Co 11. 13b). Diante dos “anciãos de Éfeso”, Paulo os chamou de “...lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho” (At. 20. 29a). Oito livros do Novo Testamento foram escritos contra formas diversas dessa heresia, a saber: (Colossenses, as três epístolas pastorais, as três epístolas joaninas e Judas), A Epístola aos Efésios, o evangelho de João e o livro do Apocalipse, em alguns trechos esparsos, também refletem oposição a essa heresia.
A igreja de Éfeso não suportava os tais gnósticos e por isso foi louvada pelo Senhor: “puseste à prova”. Esta expressão é que equivale dizer no grego: “Reprovaste-OS”.

1. A igreja de Efeso, talvez tenha sido a de maior cuidado do ministério de Paulo; O Novo Testamento diz que, Paulo esteve em Efeso, levando consigo Priscila e Áquila; e deixou-os ali (At 18. 19); retornou mais tarde (19. 1) e desta vez permaneceu dois anos, dedicado à pregação do Evangelho. Dessa maneira, todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra sobre o Senhor Jesus, assim judeus como gregos (At 19. 10). Efeso chegou mesmo a tornar-se o centro do mundo cristão. “As profecias de Paulo realizaram-se: poderá hoje, quem visita Efeso saber onde era o lugar da casa ou templo em que a igreja se reunia? Tudo ruína! “Como homem, combati em Éfeso contra as bestas” disse Paulo: Feras humanas! (cf. 1 Co 15. 32)”.

3. “E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste”.

1. “...tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome”. Ë evidente que os que tem esperança, esperam. E, “os que esperam no Senhor renovarão as suas forças...” (Is 40. 29 31). No Salmo 89. 19, há uma promessa de Deus para aquele que trabalha: “Socorri um que é esforçado: exaltei a um eleito do povo”. A inatividade na vida espiritual é condenada por Deus. No livro de Provérbios fala-se do “preguiçoso” cerca de 17 vezes, por isso é evidente que o Espírito Santo considera muito este perigo da mocidade e de pessoas mais idosas, O preguiçoso é reprovado por covardia (Pv 21. 25; 26. 13), por negligenciar as Oportunidades (Pv 12. 27), os deveres (Pv 20. 4), por desperdiçamento (Pv 18. 9), por indolência (Pv 6. 6, 9), por imagina-se sábio (Pv 26. 16). Ele é ainda comparado ao caçador que não assa sua caça, e portanto a come crua (Pv 12. 27); concomitantemente ele não leva sua mão à boca para não cansar o braço (Pv 26. 15). A igreja de Efeso era conhecida pelas obras; perseverava no trabalho; não cansava no serviço de Cristo. Note como se repete a palavra “Paciência”; eram perseverantes no lidar (v. 2), e, perseverantes no sofrer (v. 3).

4. “Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade”.

1. “...A primeira caridade” (O primeiro amor). A presente expres são, não significa “declínio da fé” como pensam alguns, mas, antes, Sugere um esfriamento no amor (Mt 24. 12). Cerca de 30 anos antes desta carta, a igreja de Éfeso, tinha ardente caridade para com “todos os santos” (cf. Ef 3. 18). Paulo chegou até a convid4os a participarem da “...largura, e o cumprimento, e a altura e a profundidade” do amor de Deus, “...que excede todo o entendimento» (Ef 3. 18-19). O desaparecimento gradual do amor fraternal no coração do salvo (Mt 24. 12). Tem como resultado, o abandono da “primeira caridade”. Pedro disse aos seus leitores: “...sobretudo, tende ardente caridade” (1 Pd 4. 8).
1. Cristo mencionou não menos que 9 características destacadas e louváveis que achou na igreja de Efeso. Mas por isso podia desculpá-la da falta de amor. Apesar de qualquer esforço, ou de qualquer grau de Sinceridade, gravíssimo o nosso estado espiritual se nos faltar o amor: “...ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria”. “...ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria”.
Esta é a grande declaração do Apóstolo Paulo, em 1 Co 13. 3-4. Se o cristão não tem amor, a vida espiritual também não tem sentido, “Nada Seria!”. Disse ele!.

5. “Lembra pois donde caíste, e arrepende-te e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres

1. “...Tirarei do seu lugar o teu castiçal”, Esta profecia do Senhor Jesus sobre a “remoção” do castiçal de Efeso, não se cumpriu na igreja mas também na cidade. Alguém já disse com sabedoria:.Há tempo para perdão e tempo para juízo”. Cf. Ec 3.1, Por muito tempo o “castiçal” de Efeso se manteve em pé; Deus estava-lhe dando uma oportunidade para arrependimento. Segundo o testemunho da História, ela isso não fez, e o juízo de Deus atingiu não somente o “castiçal” (igreja, mas também a cidade, e no quinto século sua glória declinou. “Hoje não restam nem opulência, nem mesmo templos pagãos suntuosos, nem o porto, que o próprio Mar destruiu e aterrou”. Êfeso era a igreja autêntica; ensinava a verdadeira doutrina de Cristo, e punha a prova os homens que se desviaram da fé uma vez para sempre entregue aos santos. Mas devia arrepender-se de uma falta grave: “Deixou o primeiro amor”. No contexto vivido; a melhor maneira de o cristão restaurar a “primeira caridade”, é sem dúvida alguma: praticar “as primeiras obras”. Ambas exigências, foram exigidas na igreja de Éfeso.

6. “Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas “, as quais eu também aborreço”.

1. “...os nicolaítas”. Não podemos determinar com certeza serem estes “nicolaítas” discípulos de “Nicolau”, o sétimo diácono (At 6. 5). O texto divino escrito por São Lucas, afirma ser Nicolau, um homem de “boa reputação, cheio do Espírito Santo e de sabedoria” (At 6. 3).

O Apóstolo João, conhecia bem pessoalmente a Nicolau, e sem dúvida, no dia de sua separação para o diaconato (o texto em si não diz que aqueles sete foram separados para diáconos; mas o grego ali existente favoresse o significado do pensamento: diáconos, três vezes, ministros, sete vezes e servos, vinte vezes), pôs suas mãos sobre ele (At 6. 2, 6), é esta razão, além de muitas outras, motivo para não infligirmos na conduta deste servo de Deus, aquilo que ele não foi. Se assim o tivesse sido, João teria citado seu nome como fez com os outros inimigos da igreja. De acordo com C. 1. Scofield, a palavra “Nicolau” quer dizer “Vencedor do Povo”, e o termo “nicolaítas” que vem no superlativo tem quase o mesmo sentido: Nico é um termo grego que significa conquistar ou subjulgar. Laitanes é a palavra grega de onde se deriva nosso vocábulo “leigo”.

Nas cartas do Apocalipse, quando é mencionada uma doutrina ou ato de uma pessoa, comumente se usa mencionar seu nome, por exemplo: “doutrina de Balaão” (2. 14); “o trono de Satanás” (2. 13); “sinagoga de Satanás” (2. 9 e 3. 9); “as profundezas de Satanás” (2. 24); “toleras Jezabel”, etc. (2. 20). Quanto aos “nicolaítas”, o estilo muda completamente como pode muito bem ser observado: a frase “as obras dos nicolaítas” (2. 6), e “doutrina dos nicolaítas” ,(215). O presente texto, não diz: “As obras de Nicolau” (a pessoa); nem a “doutrina de Nicolau” (um dos sete). O leitor deve bem observar a frase pluralizada: “As obras (dos) nicolaítas” e “doutrina (dos) nicolaítas”. Estas expressões referem-se a um grupo e não a uma pessoa.

1. Outro ponto de vista sobre o assunto que deve ser observado é que Nicolau “era prosélito de Antioquia” (At 6. 5); separado para o diaconato, servia na igreja de Jerusalém. O livro de Atos dos Apóstolos não fala de Nicólau como tendo-se destacado como missionário itinerante, a exemplo de Estevão e Filipe (At 6. 8 e 21. 8).

Ë evidente que sua esfera de trabalho foi local; ele não alcançou lugares distantes como Efeso e Pérgamo. Pelo que sabemos, não é mencionado mesmo antes ou depois de Cristo, um homem chamado Nicolau que tenha fundado uma seita, a não ser aquilo depreendido e focalizado do texto em foco. Se essa palavra é simbólica, vemos, neste vocábulo, “nicolaítas”, o começo do controle sacerdotal ou eclesiástico sobre as congregações (igrejas) cristãs individuais, O Sr. A. E. Bloomfield(29) declara o que segue: “Os movimentos das igrejas, visando poder político e prestígio social mediante uniões, federações e alianças mundanas, são “doutrinas e obras” dos nicolaítas. Trata-se do esforço de restaurar, por métodos humanos, aquilo que se perdeu (o primeiro amor)”.

Observemos dois pontos focais ainda sobre o presente assunto: (a) Tudo indica que “nicolaítas”, refere-se ao começo da noção de uma ordem sacerdotal na igreja: “clero” e “leigos”. Tudo nos faz crer, que esta seita denominada de “nicolaítas” faz parte de um “sistema” gnóstico existente naqueles dias; pode ser isso o sentido real do que temos aqui.

(b) Como já ficou estabelecido acima: “...Em época posterior a Cristo, houve uma seita gnóstica conhecida por “os nicolaítas”, a qual é mencionada por Tertuliano de Cartago. Que também era de índole gnóstica”.

7. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus”.

1. “...a comer da árvore da vida”. O vencedor recebe a promessa de que se alimentará da árvore da vida. Este livro fecha com uma “bem-aventurança” sobre os que têm “direito à árvore da vida” (22. 14). Em Apocalipse não aparece mais a “árvore da ciência do bem e do mal” (Gn 2. 17), mas de um modo especial a “árvore da vida”. O comer da árvore da vida expressa a participação na vida eterna.

1. O simbolismo da árvore da vida aparece em todas as mitologias, desde a Índia, até à Escandinávia. Os rabinos judeus e ismaelitas chamavam de “árvore da provação”. O Zend Avesta tem a sua própria árvore da vida, chamada de “Destruidora da Morte”. Para nós, porém, o comer da árvore da vida, significa o direito de ser revestido da imortalidade (Ap 22. 19). Algumas Bíblias trazem: “comer”. Mas, em outras, “se alimente” (Almeida, 1969 é mais expressiva). A sabedoria divina divide os homens em duas classes: a dos vencedores e a dos vencidos (2 Pd 2. 20). Os vencedores comerão: “da árvore da vida” no Paraíso de Deus. No Eden, aos vencidos foi vedado a oportunidade de comer dessa árvore, para que não vivessem para sempre na miséria (Gn 3. 22). Mas aos vencedores, na maior felicidade, será concedido comer e viver eternamente.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Livro:- Apocalipse versículo por versículo – Severino Pedro da Silva