sexta-feira, 13 de abril de 2012

SEGUNDA CARTA: À IGREJA DE ESMIRNA


SEGUNDA CARTA: À IGREJA DE ESMIRNA

8. “E ao anjo * da igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu”.

1. “...ao anjo da igreja”. Podemos ver neste versículo, uma referência a pessoa de Policarpo(’); esse pastor nasceu em (69 d. e.), e morreu em (159 d. C.). O Dr. Russeil Norman, diz que a etimologia do nome “Policarpo” significa “muito forte” ou “frutífero”. Policarpo foi discípulo pessoal do Apóstolo João, homem muito consagrado, foi o “principal pastor” da igreja de Esmirna durante o exílio do Apóstolo em Patmos.

“A narrativa de seu martírio é narrada por Eusébio, em sua História Eclesiástica iv 15 e em Mart. Polyc. caps. 12. e 13, págs. 1037 e 1042. Foi levado à arena, lugar dos jogos olímpicos, um dos maiores teatros abertos da Ásia Menor, parte da qual construção permanece de pé até hoje”. Policarpo, deve ser realmente, o “anjo” do texto em foco, pois as evidências assim o declara (cf. Ec 7. 27).

1. ESMIRNA. O nome “Esmirna” significa “mirra”, a palavra usada três vezes nos Evangelhos (Mateus 2. 11; Marcos 15. 23; João 19. 39). De acordo com H. Lockyer (2), “O nome descreve bem a igreja perseguida até a morte, embalsamada nos perfumes prévios de seu sofrimento, tal como foi a igreja de Esmirna. Foi a igreja da mirra ou amargura; entretanto, foi agradável e preciosa para o Senhor”. Esmirna também é famosa por ser a terra natal de Homero (o poeta cego da mitologia grega) e como lar de Policarpo (bispo de Esmirna).

Situação Geográfica: esta cidade encrava-se no pequeno Continente da Ásia Menor (hoje, atual porção da Turquia Asiática). Em 1970, Esmirna já contava com cerca de 63000 habitantes e é, atualmente, a principal cidade turca, denominada Izmir. Os muçulmanos chamam- na “Izmir e infiel”. O Rio Meles, famoso na literatura, também era adorado em Esmirna. Próximo à nascente desse rio ficava a caverna onde, dizem, Homero compunha seus poemas. Com a conquista do Oriente pelos romanos, Esmirna, passou a fazer parte da província romana da Asia. A cidade de Esmirna, cujo nome significa: “mirra”, caracterizou-se pela forte oposição e resistência ao cristianismo no primeiro século da nossa era. A igreja local originou-se da grande colônia judaica ali estabelecida. Em Esmirna, no ano (159 d. C.), Policarpo, seu bispo, foi martirizado.

2. Isto diz o primeiro e o último. Já tivemos oportunidade de encontrar este título aplicado a pessoa de Cristo em Ap 1. 16, onde o mesmo é amplamente comentado e ilustrado pelo nosso alfabeto português. “Cristo é o primeiro” quanto ao tempo e à importância. Ele é a fonte originária de toda e qualquer vida, seu princípio mesmo. O fato de que Cristo é o “princípio”, equivale à declaração de que Ele é o “Alfa”. E o fato de ser o “Ultimo” equivale a ser o “Ômega”. Ele é o Princípio e o Fim, O Primeiro e o Último, o “a” e o “z”; nós nos encontramos no meio. Mas Cristo continua a existir! Na qualidade de ser Ele o “último”, pode-se dizer o seguinte sobre Cristo (a) Ele é a razão mesma da existência; (b) Ele é o princípio da vida após a morte; (c) Ele é o alvo de toda a existência, o Ômega.

9. “Eu sei as tuas obras, e tribulação , e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás”.

1. “...Eu sei as tuas obras”. O Senhor Jesus, não só conhecia as “obras” desta igreja fiel, mas, de um modo especial a sua “tribulação”. No grego clássico, tribulação, é “thlipsis”, significa “pressão”, “opressão”, derivado de “thlibo”, que tem o sentido geral de “pressionar”, “afligir”, etc. Nas páginas do Novo Testamento, em sentido comum (com exceção da palavra designada para um período de sete anos) tem o sentido de “perseguição” deflagada, por aqueles que são aqui na terra inimigos do povo de Deus (cf. At 14. 22).

1. E pobreza. O leitor deve observar o contraste que existia entre o “anjo” (pastor) da igreja de Esmirna, e o da igreja de Laodicéia (3. 17). Cumpre-se aqui, portanto, um provérbio oriental que diz: “Aos olhos de Deus, existem homens ricos que são pobres e homens pobres que são ricos”. O sábio Salomão declara em Pv 13. 7: “Há quem se faça rico (o pastor de Laodicéia), não tendo coisa nenhuma, e quem se faça pobre (o pastor de Esmirna), tendo grande riqueza”.

O Dr. Champrin observa que aqueles crentes (de Esmirna) eram pobres, mas não porque não trabalhassem — sendo essa a causa mais comum da pobreza de modo geral, mas devido às perseguições que sofriam. Suas propriedades e bens foram confiscados pelo poderio romano, e além de tudo esses servos de Deus, ainda sofriam encarceramento. Porém, está declarado no presente texto, que eles eram ricos. Em que? Nas riquezas espirituais. Eles eram de fato ricos: nas obras, na fé, na oração, no amor não fingido, na leitura da Palavra de Deus, (à maneira de seus dias). Estas coisas diante de Deus: São as riquezas da alma! (Mt 6. 20; 1 Tm 6. 17-19).

2. A blasfêmia dos que se dizem judeus. O Apóstolo Paulo escrevendo aos romanos diz: “...nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9. 6b). “. ..não é judeu o que é exteriormente...” (Rm 2. 28).

Esses falsos judeus, procuravam firmar sua origem no Patriarca Abraão, a exemplo dos demais, perseguiam a igreja sofredora da cidade de Esmirna na Ásia Menor (cf. At 14. 2, 19, etc). Atualmente, o nome “Esmirna” no campo profético, representa a igreja subterrânea que sofre por amor a Cristo nos países da Cortina de Ferro.

10. “Nada temas * das coisas que hás de padecer. Eis * que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida”.

1. “...Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão”. A oposição do grande inimigo de Deus e dos homens conforme mencionado no registro que João faz das sete igrejas jamais cessou. Satanás é citado num total de oito vezes no Apocalipse e cinco destas relacionam-se com as igrejas (6 vezes se incluirmos o termo “diabo” visto no presente texto), A “prisão” do versículo em foco, não se refere a uma “prisão” espiritual como tem sido interpretado por alguns estudiosos (cf. Lc 13. 16), mas sim literal. “As perseguições promovidas pelos romanos àquela igreja, com a ajuda dos judeus (os que se dizem), foram obras de Satanás. Sob alegação de que os cristãos de Esmirna estavam “traindo” o imperador, houve um encarceramento em massa, e a seguir o imperador ordenou o martírio de muitos daqueles”. Em uma só catacumba de Roma foram encontrados os remanescentes ósseos de cento e setenta e quatro mil cristãos, calculadarnente.

1. Tereis uma tribulação de dez dias. Os “dez dias” do presente texto, tem referência “histórica”, no primeiro caso, e profética no segundo. A Igreja sofreu de fato “dez perseguições” distintas, desde o reinado do imperador Nero até ao de Diocleciano. “As dez grandes perseguições podem ser relacionadas desta forma: (a) Sob Nero: 64-68 d. C. (b) Sob Dominiciano: 68-96 d. C. (c) Sob Trajano: 104-117 d. C. (d) Sob Aurélio: 161-180 d. C. (e) Sob Severo: 200-211 d. C. (f) Sob Máximo: 235-237 d. C. (g) Sob Décio: 250-253 d. C. (h) Sob Valériano: 257-260 d. C. (i) Sob Auréliano: 270-275 d. C. (j) Sob Diocleciano: 303- 312 d.C.Ç4)

Durante esse tempo, a matança de cristãos foi tremenda. No campo profético as perseguições desencadeadas por Diocleciano perduraram dez anos (cf. Nm 14. 34 e Ez 4. 6).

11. “Quem tem ouvidos, ouça * o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte”.

1. “...Quem tem ouvidos, ouça!”. Ora, por nada menos de sete vezes nos evangelhos, e por oito vezes neste livro do Apocalipse: sete vezes para essas igrejas! reboa aquela chamada vital, aberta e particular, para quem quiser ter ouvidos abertos: “Quem tem ouvidos, que ouça!!!”.

1. O Mis, Orlando Boyer, diz que Cristo glorificado apresenta-se às sete igrejas em simbolos, partido e distribuído conforme as suas necessidades: (a) Para a igreja Ortodoxa e sempre esforçada em Efeso, Cristo é Aquele que tem as sete igrejas na destra, isto é, que lhe sustenta a obra. 1. 20 e 2. 1; (b) À igreja atribulada em Esmirna, na véspera do tempo de martírio, Jesus apresenta-se como Aquele que havia experimentado a perseguição, até a morte e havia vencido. 1. 17, 18 e 2. 8; (c) A igreja descuidada de Pérgamo, Cristo glorificado é Quem maneja a Espada, dividindo a igreja do mundo. 1. 16 e 2. 12; (d) Para a igreja que declinava, Tiatira, Cristo é Juiz com olhos como’ chamas de fogo. 1. 14 e 2. 18; (e) Para a igreja morta, Sardes, Jesus tem os sete Espíritos de Deus e pode ressuscitar os crentes da morte para a vida. 3. 1; (f) A igreja missionária, Filadélfia, Cristo é Quem quer abrir a porta: da evangelização. 3. 7; (g) Para a igreja morna, Laodicéia, Cristo é a fiel e verdadeira testemunha tirando da igreja a máscara da satisfação em si mesma. 3. 14.

2. O dano da segunda morte. Somente no livro do Apocalipse se encontra a presente expressão: “A segunda morte”. Ela será destinada aos “vencidos”, mas nenhum poder terá sobre os “vencedores”. A segunda morte é a morte eterna. A frase aparece aqui (e em Ap 20. 6, 14 e 21. 18), onde o destino dos perdidos é descrito em termos de um Lago de Fogo e enxofre. Durante sua vida terrena, Cristo fez uma promessa, dizendo: “As portas do inferno (as forças do mal)” não teriam nenhum poder sobre a sua Igreja (Mt 16.18); esta promessa de Cristo é presente e escatológica: agora, e na eternidade!.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Livro:- Apocalipse versículo por versículo – Severino Pedro da Silva

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Carta à Igreja em Éfeso

A Carta à Igreja em Éfeso

A mensagem do Apocalipse foi enviada principalmente “às sete igrejas que se encontram na Ásia” (1:4). Este fato é frisado várias vezes no primeiro e no último capítulos (1:4,11,20; 22:16). Os capítulos 2 e 3 são direcionados especificamente às igrejas, com uma mensagem especial para cada uma delas.
Estas sete cartas seguem a forma de decretos imperiais, começando a sua mensagem com a palavra “diz” (grego, legei). Estas cartas foram escritas num formato padrão (Saudação, Posição de Jesus, Avaliação da congregação, apelo a ação, Promessa de recompensa aos vencedores), mas o conteúdo de cada é específico e fala a respeito das necessidades da própria congregação citada.

Sete Igrejas Independentes

A necessidade de sete cartas bem diferentes reforça a importância de respeitar a autonomia de cada congregação. Estas sete igrejas se encontravam numa área relativamente pequena. Uma pessoa entregando todas as cartas faria um circuito de pouco mais de 500 quilômetros. Nesta área pequena, sete igrejas bem diferentes apresentaram características distintas. Jesus não enviou uma carta “ao bispo da Ásia” (não existia qualquer ofício de líderes regionais entre as igrejas primitivas) para resolver, de uma vez, todas as questões nas várias igrejas. As igrejas não eram subordinadas à autoridade de alguma hierarquia, e não havia laços estruturais entre congregações. Cada congregação era independente, com seus próprios desafios e sua própria personalidade. Cada uma recebeu um comunicado diretamente de Jesus, e lhe responderia diretamente pela sua obediência ou rebeldia. Ele não operou por meio de alguma hierarquia de autoridades eclesiásticas. As pessoas que querem seguir, hoje em dia, as instruções do Novo Testamento devem lembrar este fato. Não há base bíblica para criar ou manter organizações religiosas ligando congregações. As hierarquias nas denominações e as conferências e congressos estaduais, regionais, nacionais e internacionais são invenções de homens sem nenhuma autorização bíblica.

Ao Anjo da Igreja em Éfeso (Apocalipse 2:1-7)

Vamos considerar o conteúdo desta carta. Confira na sua Bíblia cada citação.
A igreja em Éfeso (1): Éfeso era a cidade mais importante da província romana de Ásia. Foi situada perto do mar Egeu. Duas estradas importantes cruzaram em Éfeso, uma seguindo a costa e a outra continuando para o interior, passando por Laodicéia. Assim, Éfeso teve uma localização importantíssima de contato entre os dois lados do império romano (a Europa e a Ásia). Historiadores geralmente calculam a população da cidade no primeiro século entre 250.000 e 500.000. Éfeso era conhecida, também, como o foco de adoração da deusa da fertilidade, Ártemis ou Diana.

Sabemos algumas coisas sobre a história da igreja em Éfeso de outros livros do Novo Testamento. No final de sua segunda viagem, Paulo deixou Áqüila e Priscila em Éfeso, onde corrigiram o entendimento incompleto de Apolo sobre o caminho do Senhor (Atos 18:18-26). Na terceira viagem, Paulo voltou para Éfeso, onde pregou a palavra de Deus por três anos (Atos 19:1-41; 20:31). Na volta da mesma viagem, passou em Mileto e encontrou-se com os presbíteros de Éfeso (Atos 20:17-38). Durante os anos na prisão, Paulo escreveu a epístola aos efésios. Também deixou Timóteo em Éfeso para edificar os irmãos (1 Timóteo 1:3).
Destas diversas referências aos efésios, podemos observar algumas coisas importantes sobre essa igreja. Desde o início, houve a necessidade de examinar doutrinas e aceitar somente o que Deus havia revelado. Assim, Áqüila e Priscila ajudaram Apolo (Atos 18:26); Paulo advertiu os presbíteros do perigo de falsos mestres entre eles (Atos 20:29-31), e orientou Timóteo a admoestar os irmãos a não ensinarem outra doutrina (1 Timóteo 1:3-7). A carta de Paulo aos efésios destacou a importância do amor (5:2), um tema frisado, também, nesta carta no Apocalipse.

Aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro (1): Esta descrição de Jesus vem de 1:12-13,16,20 e mostra o conhecimento e a soberania de Jesus em relação às igrejas. Tanto os efésios como os discípulos nas outras igrejas precisavam lembrar da presença de Jesus. Ele anda no meio das igrejas, observando o procedimento delas, e pronto para agir quando for necessário. Segurando as sete estrelas, ele demonstra seu poder e domínio.

Conheço as tuas obras (2-3): Jesus elogia várias qualidades da igreja em Éfeso:

Labor e perseverança – Deus quer servos dedicados que não desistem (Tiago 1:4). Jesus falou da importância da perseverança diante de perseguição (Mateus 10:22; veja Romanos 5:3; Tiago 1:12), observando que perseguições causam o amor de muitos a esfriar (Mateus 24:10-13). Devemos perseverar na oração (Atos 1:14; Colossenses 4:2; 1 Timóteo 5:5), na doutrina verdadeira (Atos 2:42; 1 Coríntios 15:1), nas boas obras (Romanos 2:7) e na graça de Deus (Atos 13:43). Na sua perseverança, os efésios suportaram provas e não se desanimaram.

Não suportar homens maus – Depois de tantas advertências sobre o perigo de falsos mestres, a defesa da verdade se tornou um ponto forte da igreja de Éfeso. Homens que se alegavam ser apóstolos foram postos à prova e achados mentirosos (veja 1 João 4:1). Precisamos do mesmo zelo da verdade hoje. O mundo religioso está cheio de pessoas que se dizem profetas e apóstolos. Devem ser avaliadas conforme a palavra de Deus. Pessoas que alegam trazer novas revelações são mentirosas (Gálatas 1:8-9; 1 Coríntios 13:8; Judas 3). Os apóstolos eram testemunhas oculares de Jesus ressuscitado (veja Atos 1:22; 1 Coríntios 15:8-9). Aqueles que se chamam apóstolos, hoje em dia, são falsos mestres. Não devemos suportá-los.

Tenho ... contra ti (4): O problema dos efésios não foi uma questão de doutrina correta, mas de amor. Abandonaram o seu primeiro amor. Esqueceram dos grandes mandamentos que formam a base para todos os ensinamentos de Deus (Mateus 22:37-40). Paulo instruiu os efésios sobre a importância do amor como alicerce da vida do cristão (Efésios 3:17; 4:2,16: 5:2; 6:23). Não devemos distorcer esta advertência para criar um conflito entre o amor e a verdade. Podemos defender a verdade, como os efésios fizeram e, ao mesmo tempo, praticar o amor. Foi exatamente isso que Paulo pediu aos efésios: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15).

Lembra-te, arrepende-te e volta (5): Jesus pede três respostas dos efésios:

1. Lembra-te, pois, de onde caíste: Não foram as alfarrobas dos porcos que levou o filho pródigo ao arrependimento; foi a lembrança da casa do pai. Para os efésios se arrependerem, teriam que lembrar da comunhão com Deus que deixaram para trás. Para permanecer fiéis, a presença de Deus precisa ser a coisa mais preciosa na nossa vida. Uma vez que caímos, é necessário desenvolver novamente o amor para com ele.

2. Arrepende-te: O arrependimento é a mudança de atitude. Quando decidimos deixar o pecado e fazer a vontade de Deus, nós nos arrependemos. O pecador precisa se arrepender antes de ser batizado para perdão dos pecados (Atos 2:38). O cristão que tropeça precisa se arrepender e pedir perdão pelos seus pecados (Atos 8:22). Aqui, uma igreja cujo amor esfriou-se precisa se arrepender.

3. Volta à prática das primeiras obras: A mudança de atitude (o arrependimento) produzirá frutos (Mateus 3:8). Pelas obras, a pessoa arrependida mostrará a sinceridade da sua decisão. A igreja em Éfeso precisava voltar à prática do amor.
Se a igreja não se arrepender, Jesus removeria o seu candeeiro. Eles não permaneceriam na abençoada comunhão com o Senhor.

Odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio (6): Mais um ponto a favor, reforçando o elogio dos versículos 2 e 3. Os nicolaítas são mencionados somente aqui e na carta à igreja em Pérgamo (15). Não sabemos a natureza precisa do seu erro, mas sabemos que era abominável a Deus. Neste ponto, os efésios odiavam o que Deus odiava. Nós devemos fazer a mesma coisa, sendo amigos do bem (Tito 1:8) e detestando o mal (Salmo 97:10).

Quem tem ouvidos, ouça (7): Freqüentemente, Jesus chama os ouvintes a ouvirem a sua mensagem (Mateus 11:5; 13:9,43; etc.). O problema de um coração teimoso se reflete nos ouvidos tapados que recusam ouvir a verdade (Mateus 13:15). Os efésios provaram aqueles que falavam, agora eles seriam provados pela maneira de ouvirem.

O Espírito diz às igrejas (7): Jesus transmitiu a sua mensagem por meio dos anjos das igrejas (2:1,8,12,18; 3:1,7,14), mas o Espírito, também, participa da revelação (veja 1:4) e da recompensa dos fiéis.
Ao vencedor ... árvore da vida ... paraíso de Deus (7): A recompensa aguarda os vencedores que perseveram no amor e na verdade. Aqueles que desistem, abandonando para sempre o seu amor, não receberão o galardão. Jesus descreve a comunhão com Deus em termos que nos lembram do jardim do Éden. Por causa do pecado, o homem foi expulso do jardim em que Deus andava (Gênesis 3:22-24,8). Aqueles que andam com Deus têm a esperança da vida no paraíso do Senhor.

Conclusão

U ma igreja rodeada por religiões falsas e sujeita à influência de homens maus precisa examinar todos os ensinamentos e rejeitar todas as falsas doutrinas. Mas ela precisa, também, demonstrar o amor verdadeiro para vencer o mal. Devemos amar a verdade, não somente pelo desejo de ser “corretos”, mas porque ela vem do Deus que merece nosso amor. Devemos amar aos outros, porque foram feitos à imagem e semelhança de Deus. “Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros” (1 João 4:11).

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O PRESENTE - ÉFESO


O PRESENTE - ÉFESO

Apocalipse 2.1—3.22

No capítulo 1, encontramos “as coisas que tens visto” (1.19) — o passado. No capítulo 2 e 3, são registradas “as que são” — o presente. E melhor entender essa seção como que descrevendo condições prevalecentes nas sete igrejas da Asia.
Muitos estudiosos encontraram aqui sete períodos sucessivos da história da igreja. J.

B. Smith apresenta um bom resumo dessa interpretação. Efeso retrata “o declínio primitivo do cristianismo vital no término do primeiro século”, a perda do seu primeiro amor. Esmirna descreve o período da perseguição, nos segundo e terceiro séculos. Pérgamo representa “a união de igreja e estado sob o império de Constantino” (quarto século) com sua conseqüente corrupção eclesiástica e moral. Ti atira descreve “o domínio da hierarquia romana”, do quinto ao décimo quinto séculos. Sardes aponta para “os dias da Reforma”, no décimo sexto século, em que “algumas pessoas [...] não contaminaram suas vestes” (3.4).

Filadélfia fala de “um período de ortodoxia e evangelização por líderes tais como Wesley e Whitefield [século décimo oitavo], quando todas as nações do mundo estavam de ‘portas abertas’ para receber o Evangelho”. Laodicéia mostra “a apostasia do final dos tempos numa linguagem muito parecida com a que foi apresentada por Jesus e os apóstolos Paulo, Tiago, Pedro, João e Judas, acerca dos últimos dias”. Essa apostasia começou com a alta crítica germânica da Bíblia no décimo nono século e alcançou o estágio alarmante representado pela posição da “morte de Deus” reivindicada por teólogos em 1965.

Inquestionavelmente, há uma coincidência marcante entre as sete cartas e a seqüência dos períodos sugeridos. Mas provavelmente é mais correto afirmar que todas as cartas reunidas constituem um quadro geral das condições não só nas sete igrejas da Asia no fim do primeiro século, mas também em toda a trajetória do cristianismo durante toda a era da Igreja. Com isso não estamos negando que certas características descritas nessas mensagens eram mais dominantes em um período do que em outro.

As cartas apresentam uma estrutura bastante equilibrada. Smith sugere uma divisão
em sete partes para cada igreja: 1) Proclamação; 2) Apresentação; 3) Declaração; 4) Aprovação; 5) Censura; 6) Exortação; 7) Recompensa. Nós adotamos um esboço semelhante.

Duas das igrejas, Esmirna e Filadélfia, não recebem uma palavra de desaprovação a respeito delas. Do lado oposto está Laodicéia, com nenhuma palavra de aprovação. Kiddle observa: Duas igrejas, a primeira e a última, são ameaçadas com a extinção completa, uma vez que cada uma carece de qualidades essenciais para a confissão da fé cristã. Louvor inadequado é dado à segunda e sexta igrejas. As três igrejas centrais são elogiadas e castigadas em diferentes graus, porque em cada uma delas existe uma mistura de elementos bons e maus; os fiéis recebem a promessa de recompensas e os infiéis são ameaçados com os mais severos castigos. Assim, parece haver um plano propositado elaborado ao apresentar essas sete igrejas como representantes das condições existentes em todas as igrejas.

CARTA À IGREJA DE ÉFESO, 2.1-7

1. Destino (2.la)

A primeira carta foi escrita ao anjo (veja comentários em 1.20) da igreja que está em Efeso. Essa era a cidade principal da província da Ásia, do lado oeste da Ásia Menor. Na época em que João a escreveu, essa cidade era um grande porto, situado perto da boca do rio Caister. Caravanas nas estradas romanas do norte, leste e sul convergiam aqui, para deixar suas cargas em navios que velejavam para o oeste em direção a Corinto ou mesmo até a Itália. Efeso era uma metrópole agitada. Essa cidade era a porta de entrada da Ásia. O procônsul precisava desembarcar aqui quando iniciava o seu oficio como governador da Ásia. Ao mesmo tempo, ela era a estrada principal para Roma. No início do segundo século, quando os cristãos estavam sendo enviados por navio para Roma para alimentar os leões, Inácio chamou Efeso de a Rota dos Mártires.
Politicamente, Efeso era uma cidade livre. Isso significava que ela desfrutava de uma medida considerável de autonomia autônomo. Nessa cidade também ocorriam os famosos jogos anuais.

Na área da religião, Efeso era o centro de adoração de Artemis (veja comentários em
Atos 10.24-27, CBB, vol. VII, pp. 482-3). Seu templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Efeso era chamada de “A Luz da Ásia”. Contudo, ela era uma cidade pagã, repleta de trevas da superstição pagã. Swete escreve: “A cidade era um canteiro de rituau1o, ais e superstições, um local de encontro do ocidente e do oriente, onde gregos, romanos e asiáticos se acotovelavam nas ruas”.

Por causa da sua importância estratégica, Paulo havia passado mais tempo aqui (perto de três anos, At 20.31) do que em qualquer outro lugar nas suas três viagens missionárias. Ele fez muitos convertidos, tanto judeus quanto gentios (At 19.10) e construiu uma igreja forte. Nos anos 60 d.C., Timóteo foi colocado lá (1 Tm 1.3). A tradição da Igreja Primitiva afirma que João passou os últimos anos da sua vida nesse terceiro grande centro do cristianismo (depois de Jerusalém e Antioquia).

Hoje essa metrópole poderosa do passado é um monte de ruínas. O rio Caister encheu o porto com lodo, de maneira que a cidade é somente um pântano de juncos. O mar fica a cerca de dez quilômetros de distância.

Há três razões lógicas para João escrever primeiro para a igreja de Efeso. a) Ela era a principal igreja na Ásia e estava situada na principal cidade da província. b) Ela era a cidade mais próxima de Patmos, a cerca de 100 quilômetros. Ela seria a primeira cidade a ser alcançada pelo mensageiro que levava essas cartas. c) Ela era a igreja-mãe de João. Nesse domingo pela manhã, o idoso apóstolo estava indubitavelmente pensando acerca das necessidades e problemas dessa igreja, bem como das outras seis igrejas que podem ter estado sob a sua jurisdição.

2. Autor (2.1b)

O Autor divino dessas sete cartas é Jesus Cristo. No início de cada epístola, após a saudação, Ele é descrito de uma maneira singular e que se ajusta à mensagem dessa carta. Cada vez o Autor é apresentado com as palavras: Isto diz. Então segue a descrição do Senhor glorificado. Swete diz o seguinte a respeito dessa fórmula introdutória:

“Ela é seguida em cada caso por uma descrição de um Locutor, em que Ele é caracterizado por um ou mais dos aspectos da visão do capítulo 1 [...] ou por um ou mais dos seus títulos [...] os aspectos ou títulos escolhidos parecem corresponder com as circunstâncias da igreja a que a carta está sendo dirigida”. Mas, ele também observa: “Para a Igreja de Efeso, a mãe das igrejas da Asia, o Senhor escreve debaixo de títulos que expressam sua relação com as igrejas em geral”.

Nesse versículo, Ele é descrito da seguinte maneira: aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro. Isso nos leva de volta à descrição de Cristo em 1.12-20. Embora os castiçais (candelabros) sejam claramente identificados por Jesus como que simbolizando as igrejas, a interpretação das estrelas como “anjos” é explicada de maneira variada (veja comentários em 1.20). Devemos confessar que temos uma forte afinidade com o ponto de vista apresentado por Richardson. Depois de identificar os “anjos” como mensageiros e sete como que significando “totalidade”, ele diz: “Todos os verdadeiros ministros de todas as igrejas estão nas mãos de Cristo [...] A medida que Cristo se move no meio das igrejas, Ele segura os ministros nas suas mãos”. Se essa interpretação pode ser aceita, ela fornece grande consolo ao pastor sobrecarregado.

3. Aprovação (2.2-3, 6)

Deus nunca está desatento ao que fazemos por Ele. Jesus diz à igreja de Efeso: Eu sei (2). Sempre é um conforto lembrar que nosso Senhor nos conhece corretamente.
A igreja de Éfeso é primeiramente elogiada por suas obras. Encontramos isso novamente em 2.19; 3.1, 8, 15. Trabalho (kopos) é um termo forte. Barclay diz que ele descreve “trabalho até suar; trabalho até ficar exausto; o tipo de labuta que suga toda a energia e mente que um homem possui”.

Paciência dificilmente é uma tradução adequada para a palavra grega aqui, que significa “persistência imperturbável” (veja comentários em 1.9). Barclay comenta: “Hupomone não é a paciência inflexível que resignadamente aceita as coisas, e que curva sua cabeça quando preocupações aparecem. Hupomone é a bravura corajosa que aceita sofrimento, privação e perda e os transforma em graça e glória”.

Smith faz uma observação interessante acerca desses três termos usados aqui. Ele escreve: “Fé, esperança e amor lamentavelmente estão faltando aqui. Contraste essa igreja com a de Tessalonicenses: Efeso tinha obras, mas não obras de fé; trabalho, mas não trabalho de amor; paciência, mas não paciência de amor” (1 Ts 1.3).” Ele então torna essa declaração significativa: “Não é demais dizer que uma igreja pode ter todas essas virtudes mencionadas e mesmo assim estar destituída de vida espiritual”. Poderíamos acrescentar o seguinte: e o mesmo vale para cada indivíduo.

A igreja de Efeso não era apenas diligente, mas também cautelosa em termos de disciplina: ela não podia sofrer (“suportar”, ARA; “tolerar”, NVI) os maus. Diferentemente de Corinto, ela não tolerava o pecado dentro da igreja. Ela havia colocado à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e os havia achado mentirosos.


A íntima conexão dessas cláusulas sugere que os maus devem ser identificados com os falsos após-tolos. Swete explica quem eram essas pessoas: “Os falsos mestres afirmavam ser apóstolos num sentido mais amplo, mestres itinerantes com uma missão que os colocava num nível mais elevado do que os anciãos locais” (cf. 1 Co 12.28; Ef 4.11). Esses apóstolos itinerantes se tornaram um verdadeiro problema na Igreja Primitiva. Evidentemente, era requerido que levassem “cartas de recomendação” de alguma igreja estabelecida (2 Co 3.1).

Em sua primeira epístola, João adverte: “provai [testai] se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 Jo 4.1). O Didaquê, escrita em meados do segundo século, relata como esses itinerantes deveriam ser testados: “E cada apóstolo que vem a vocês, que seja recebido como o Senhor; mas ele não deverá permanecer mais do que um dia; se, no entanto, for necessário, que fique mais um dia; mas se permanecer três dias, ele é falso profeta”.’3 Em outras palavras, ele não deve se aproveitar da hospitalidade da igreja.

No melhor manuscrito grego, tens paciência (3) vem antes de sofreste, que está
conectado com pelo meu nome; ou seja: “Vocês têm pacientemente sofrido por causa do
meu nome”. E trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste no grego significa simplesmente: “e vocês não têm desfalecido”. Os cristãos de Efeso eram obreiros incansáveis.

Acerca da descrição da igreja em Efeso, Ramsay escreve: “O melhor comentário disso é encontrado na carta de Inácio aos Efésios [...] As características que ele elogia na
Igreja de Efeso são as mesmas que São João menciona [...] ‘Devo ser treinado para a disputa convosco na fé, na admoestação, na perseverança e na longanimidade’ (v. 3):
 “porque todos vós viveis de acordo com a verdade e nenhuma heresia tem se alojado no meio de vós’ (v. 6)”.

A igreja em Éfeso é também aprovada porque aborrece as obras dos nicolaítas (6). Não se sabe ao certo quem eram essas pessoas (Eles são mencionados novamente no v.
15). Irineu (cerca de 180 d.C.) diz que eles foram estabelecidos por Nicolau de Antioquia, mencionado em Atos 6.5. Mas Clemente de Alexandria questiona isso. Depois de discutir as várias teorias, Swete conclui: “Como um todo parece melhor aceitar a suposição de que um partido levando esse nome existia na Ásia quando o Apocalipse foi escrito, quer devesse sua origem a Nicolau de Antioquia, que não é improvável [...] ou a algum outro falso mestre com esse nome”.

Na expressão as quais eu também aborreço, Swete faz esta observação pertinente: “Aborrecer obras más [.1 é uma verdadeira contrapartida do amor ao bem e ambos são divinos”.

4. Censura (2.4)

O grande Cabeça da Igreja viu apenas uma coisa errada na congregação em Efeso. Embora essa congregação fosse ortodoxa, perseverante e zelosa, ela carecia do amor.
Sem isso, tudo o mais era em vão. A tradução da KJV minimiza a seriedade da acusação ao inserir em itálico a palavra somewhat (depois substituída por soinething, que quer dizer “algo” ou “alguma coisa”). Isso distorce a afirmação do original. O grego diz: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor” (cf. ARA).
Isso não era um insignificante “alguma coisa”. O texto seguinte mostra que a situação era uma completa tragédia, requerendo um remédio drástico. Muitas vezes é dito que a igreja de Efeso tinha “perdido” seu primeiro amor. Mas, não é isso que o texto diz. Lemos: que deixaste [o teu primeiro amor], O verbo é aphiemi, que significa “deixar ir, mandar embora, desistir, abandonar”. Tudo isso sugere uma negligência voluntária. E por isso que se exigiu o arrependimento. Pecados de omissão podem ser tão fatais em suas conseqüências quanto que pecados de ação.

O que era essa primeira caridade que a igreja de Efeso havia deixado? Quase todos os comentaristas concordam que a palavra primeira precisa ser interpretada cronologicamente: esse era o amor da igreja primitiva em Efeso, especialmente durante os dias do ministério de Paulo ali (cf. At 19.20; 20.37). A tentativa de alguns de interpretá-la qualitativamente como que significando “amor de primeira classe” não parece encontrar apoio adequado na palavra grega usada aqui. E verdade que ela pode significar “principal” ou “superior”. Mas a idéia é de prioridade e não de qualidade.

O termo caridade (ou “amor”) é interpretado pela maioria como significando “amor fraternal”. Os Pais gregos da Igreja Primitiva acreditavam que a referência era à falta de cuidado pelos irmãos pobres. Outros associam essa passagem a Jeremias 2.2, em que Deus acusa Israel de ter esquecido “do teu amor quando noiva”. Isto é, os Efésios haviam deixado o seu amor por Cristo. A melhor proposta é a posição inclusiva de Charles R. Erdman: “Esse era o amor por Cristo e o amor pelos companheiros cristãos. Os dois aspectos são inseparáveis”.

Inevitavelmente aparece uma pergunta: Porventura, o zelo da igreja de Éfeso na sua defesa pela ortodoxia contribuiu para a perda do amor? Isso é bem provável. Ao defender a verdade e disciplinar membros instáveis, é fácil desenvolver um espírito severo e crítico que acaba destruindo o amor. E, com freqüência, quando o calor do amor divino desaparece, as pessoas tornam-se mais zelosas na luta por doutrinas e padrões ortodoxos. Esse é um perigo contra o qual todos devem vigiar.

5. Exortação (2.5)

O primeiro passo de volta para Deus é: Lembra-te (5). Lembra-te dos dias passados de bênção espiritual. Essa igreja tinha caído, não meramente tropeçado. Ela estava abatida. Esse era o caso do filho pródigo, de um modo geral. Mas ele lembrou- se (Lc 15.17) e voltou.

Deque maneira essa igreja poderia se levantar outra vez?A resposta é: arrepende-te. Isso significa “mude sua mente” (veja comentários em Mt 3.2, BBC, vol. VI, pp. 42-3). Então pratica as primeiras obras; isto é, creia e obedeça. Hebreus 6.1 fala do “fundamento do arrependimento [.1 e de fé em Deus”. Essa é evidentemente a combinação aqui. Swete ressalta que lembra-te, arrepende-te e pratica “obedecem aos três estágios na história da conversão”.

Se a igreja de Éfeso rejeitasse ou falhasse em se arrepender e praticar as primeiras obras, Jesus advertiu: brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Isto é, a igreja de Efeso deixaria de existir como congregação cristã. Isso finalmente ocorreu em uma época posterior, mas a advertência foi evidentemente anunciada naquela época.
Cerca de 20 anos mais tarde Inácio escreveu aos Efésios: “Dei as boas-vindas à sua igreja que se tornou tão estimada entre nós por causa da sua natureza honesta, marcada pela fé em Jesus Cristo, nosso Salvador, e pelo amor a Ele”.

A igreja teria uma oportunidade justificada de se arrepender. Swete observa que a palavra grega para tirarei pode ser entendida como indicando “ponderação e calma judicial; não haveria um extermínio em um momento de raiva, mas um movimento que acabaria na perda do lugar que a Igreja tinha sido chamada a cumprir; a não ser que houvesse uma mudança para melhor, as primeiras sete lâmpadas da Asia desapareceriam”.

6. Convite (2.7a)

A exortação Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas ocorre em cada uma das sete cartas. Nas três primeiras, a exortação precede a promessa ao vencedor. Nas últimas quatro, a exortação vem após a promessa. Veja também 13.9. Esse é um eco das palavras de Jesus nos evangelhos, quando ele diz: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça” (Mt 11.15; 13.9, 43; Mc 4.9, 23; Lc 8.8; 14.35).

7. Recompensa (2.7b)

Em cada carta há uma promessa para aquele que vence. O verbo ocorre freqüentemente no livro de Apocalipse, cujo tema principal é a Igreja, por meio de Cristo, vencendo todo mal. Swete diz que o termo indica”‘o vencedor’, o membro vitorioso da Igreja, como tal, à parte de todas as circunstâncias”.

A promessa aqui para o vencedor é que ele terá o direito de comer da árvore da vida. Adão falhou quando testado e perdeu esse direito. Agora esse direito é prometido àqueles que serão fiéis diante da tentação. Swete comenta: “Comer da árvore é desfrutar de tudo o que a vida futura tem a oferecer para a humanidade redimida”.

A palavra paraíso obviamente nos leva de volta ao Eden, onde a árvore da vida é mencionada primeiramente como estando “no meio do jardim” (Gn 2.9). Agora lemos que ela está no meio do paraíso de Deus. Acerca do significado desse termo Swete observa: “O ‘Paraíso’ do N.T. ou é o estado dos mortos abençoados (Lc 23.43) ou uma esfera supramundana identificada com o terceiro céu para o qual as pessoas chegam em um êxtase (2 Co 12.2ss); ou, como aqui, a alegria final dos santos na presença de Deus e de Cristo”.”
Na mensagem para Éfeso vemos:

1) A insuficiência das obras (vv. 2,3);
2) A necessidade do amor (v. 4);
3) A natureza do arrependimento (v. 5).

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

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